terça-feira, 19 de julho de 2011

NUDISMO vs NATURISMO

Quando se fala em Naturismo, é habitual fazer-se imediatamente a associação com o Nudismo, como se os dois termos fossem sinônimos, não são.

Nudista é aquela pessoa que gosta de se despojar da roupa sempre que possível, de preferência quando em contato direto com a Natureza. 

O Naturista, por outro lado, vai mais longe e professa uma filosofia de vida que inclui atitudes naturais quanto ao seu relacionamento com o meio ambiente, hábitos de alimentação saudável, utilização de medicinas naturais, repúdio do consumo de produtos alterados quimicamente, recusa da ingestão de drogas, incluindo as que são legais, como o álcool e o tabaco, preocupações de proteção e respeito pelo meio ambiente, exercício físico e desporto, integração na natureza, respeito pela biodiversidade, enfim, tudo quanto conduz à meta ideal de possuir uma mente sã num corpo são.

O Naturismo é isso.

É, essencialmente, mais que um Estilo de Vida! É uma Filosofia de Vida.

É verdade que a maior parte dos Naturistas são Nudistas, mas isso deriva da sua atitude em relação à Natureza e à naturalidade intrínseca da nudez do corpo com que nasceram.

No entanto, nem todos o são.

O nudismo é uma consequência óbvia deste tipo de postura. 


A roupa tem toda a legitimidade como enfeite (aliás com um estatuto quase cosmético derivado da moda e da vaidade) e tem toda a utilidade também como proteção contra o frio e as intempéries... Mas, é artificial, não nascemos com ela, nascemos sim, com a pele que nos cobre, com a nossa nudez e a naturalidade normal do aspecto que temos.

Permitir ao corpo um contato com a natureza de que fazemos parte é mais que natural, para além de benéfico para a saúde. Só quem já experimentou correr nu pelos campos ou mergulhar sem roupa sabe o fascínio e o prazer que isso proporciona.

No entanto, nem todos os nudistas são naturistas, nem todos os naturistas são nudistas.

Do mesmo modo que existem Naturistas que não se sentem à vontade com a nudez, por razões culturais, dogmas religiosos, conceitos de estética, etc… que são perfeitamente legítimos e merecem respeito, também há nudistas que não nutrem qualquer respeito pela Natureza, de que são tão vasto exemplo aqueles que todos os anos frequentam praias públicas e por lá deixam os seus restos de “civilização”, incluindo plásticos que demoram séculos a decompor-se e contribuem para a lenta degradação do nosso eco sistema.

Os Naturistas são ativos opositores destes tipos de comportamento e, quando paralelamente defendem o seu direito à nudez, fazem-no com a mesma naturalidade com que louvam a pureza de uma água de nascente. 


Os Naturistas repudiam atitudes de exibicionismo ligadas à nudez pública, particularmente quando são projetadas em sociedade com conotações sexuais de provocação, que constituem um comportamento tão condenável como o seria se os seus autores estivessem vestidos, e que não se verifica entre tantos povos que por esse mundo fora vivem nus, sem que daí derive atitudes descontextualizadas.

Há, portanto, que saber diferenciar a mentalidade pervertida daqueles que se dizem naturistas sem o serem, com o exercício dos direitos a mais intrínseca essência com que o ser humano nasceu e constitui o templo da sua vida.

Cabe, também, ao legislador, da mesma forma que reprime a criminalidade e os comportamentos desviantes, garantir o direito a uma vida saudável, baseada em princípios naturais, àqueles que professam esses hábitos, essa vontade e essa consciência: os Naturistas.



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